Não me recordo com que idade li Saramago pela primeira vez, nem se foi antes ou depois do Nobel, mas sei porque o fiz. A culpa foi da minha irmã. Recordo-me de o Ensaio sobre a Cegueira estar na estante do quarto, mesmo ao lado dos livros que líamos na altura - os da colecção Uma Aventura. Talvez por isso ela, ainda miúda, tenha decidido dar-lhe uma oportunidade. Ficou rendida e a partir dali eu e a minha prima mais velha ouviamo-la, admiradas, dizer que era o seu livro preferido. Como é que nós as mais velhas, nunca tinhamos lido nada do autor e ela já ali andava, cheia de sabedoria e com ele na sua lista de preferidos? Pois não quisemos ficar para trás e fomos ler e percebemos, também nós rendidas. Depois desse livro vieram outros, uns de que também gostei, outros que ainda não li. Posso não concordar com todas as ideias de Saramago, mas penso que isso é irrelevante, a sua forma de escrever, motivo de tanta controvérsia, nunca me incomodou. Como escritor era/é grande, as suas histórias são de génio.