Não gosto de excessos, é claro, nem de pessoas que se metam na vida dos outros, mas gosto de proximidade.
Gosto de ir sempre à mesma livraria, que fica na povoação ao lado, de ser bem atendida e tratada pelo nome. Gosto que me guardem os livros ou os dvds que ando a coleccionar, gosto que guardem coisas com o meu nome seguido de um ponto de interrogação, quando acham que aquilo me pode interessar. Gosto das pequenas conversas e gosto que me perguntem pelo meu cãozito quando (raramente) não o levo e de não se importarem (e até gostarem) quando ele por lá aparece.
Gosto da minha terrinha. Não é uma aldeia isolada, nem tão pequenina assim. Fica perto da cidade e há por aqui ou nas redondezas tudo aquilo de que precisamos. Ainda assim guarda muitas características que aprecio. As pessoas tratam-se pelo nome, toda a gente se conhece e cumprimentam-se sempre. Quando é necessário a povoação junta-se para ajudar, há passeios de bicicletas, jogos de futebol, pequenas peças de teatro, por vezes há excursões onde toda a gente se diverte imenso... (Quando acabei o curso toda a gente sabia que se andava a preparar uma homenagem, mas ninguém disse nada e muitos estiveram presentes para me felicitar, tal como fizemos a outras pessoas em circunstâncias semelhantes.)
E gosto da minha rua, onde não há prédios e há, agora, uma escola primária fechada. Na minha rua os vizinhos continuam a comportar-se como sempre: ainda ontem vieram dar-nos alfaces e bróculos, se alguém vai de férias um dos outros fica responsável pela casa e pelos seus animais, se chega uma encomenda e a pessoa não está, alguém a guarda e entrega depois, quando não têm salsa ou limões batem-nos à porta, ... Na minha rua quase toda a gente tem um cão e gostam muito deles. Toda a gente conhece o meu e sabe que ele é namorado da Pipoca, mas também amigo da Galucha e os donos deixam-nos brincar e estar juntos como se fossem crianças.
Aqui as coisas continuam, felizmente, a ser assim e gosto disto